sábado, 30 de maio de 2015

Avignon, uma grata surpresa

Avignon me surpreendeu. É interessante e diferente andar em suas ruas estreitas, entrar e sair da cidade murada pelas diversas portas, onde você fatalmente acaba se perdendo, sem saber de que lado saiu. O muro que cerca a parte antiga é em forma de polígono, não um quadrado perfeito, e possui várias saídas. Mesmo as construções atuais dentro do centro histórico harmonizam-se com o resto, seja na cor ou no gabarito. Todo cantinho tem um bar ou bistrô com cadeiras na calçada. Na praça do Horloge, um espaço que lembra uma pracinha de alimentação ao ar livre, somente para pedestres. Sim, claro, o Palácio dos Papas é o must do lugar, e vale super a pena visitar, já que não é todo dia que se tem oportunidade de visitar um castelo medieval. E que foi sofrendo obras, modificações  e influências com a sequência de Papas que aqui reinaram, seis ou nove, não me lembro bem. Parece que houve uma treta séria entre o Rei de França e Roma, e a Igreja resolveu se estabelecer por aqui. Tipo do passeio interativo também, com áudio em português, filminhos e tal, apesar de longo tem sempre um banco pra se sentar de quando em quando, ou você pode tirar uma onda e sentar-se nos bancos de pedra junto às janelas, observando os pátios lá em baixo, e imaginar os cardeais andando lentamente lá por baixo, cochichando sues conluios. Os ambientes do carmelengo, as cozinhas e sala de banquete, as capelas , tudo em pedras amarelo-claro, eram na época adornadas com maravilhosos afrescos e pinturas, e o trabalho de arqueologia e a tecnologia digital nos permitem ter uma ideia da riqueza da coisa. O teto do salão de banquetes, por exemplo, em forma de casco de navio, com 52 metros de comprimento, e que pegou fogo em um incêndio, foi refeito na atualidade, em madeira como na época. Era porém  pintado de azul escuro com estrelas douradas , e as simulações virtuais permitem imaginar como era lindo. O Palácio contava com jardins, pomares e até um zoológico, onde havia numerosos animais exóticos como leões e camelos, presentes ofertados aos Papas.

TGV

Um comentário sobre o trem TGV, que nos trouxe de Paris até aqui: ótimo meio de transporte. Gostei muito. Sai na hora. Você não precisa despachar a mala. Tem banheiro e lanchonete . Ah, e não precisa mais validar bilhete antes de embarcar, o condutor tem um leitor óptico que lê o código de barras de sua compra pela internet. Daniel saiu da Gare du Nord pra Inglaterra e nós saímos da Gare de Lyon para Avignon. Ambas as estações são servidas pelo metrô, e são claras e reformadas, com lojinhas e lanchonetes, nada como eu imaginava. Movimentadas, óbvio, recomendo chegar com antecedência para poder se localizar e encontrar sua plataforma. Depois, boa viagem !

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Gordes ...

Desde que vi um filme chamado Um bom ano, com Russel Crowe no papel principal, desejei estar em Gordes, cidadezinha da Provence onde o filme se desenrola. Esse é um dos meus filmes favoritos e recomendo a quem gosta de filmes românticos...
Gordes é isso. Romântica. Uma cidadezinha no alto de uma colina, uma comunidade que extraía azeite das olivas , que tingia couros e que sobreviveu durante séculos como tantas outras comunidades pobres dos séculos passados.
Como explicar a beleza de Gordes, com suas ruazinhas se embaralhando pra cima e pra baixo, descortinando o vale lá em baixo? A fonte na praça, os passarinhos piando enquanto entram e saem de entre as pedras do Chateau, a mais imponente construção local... Flores, lojinhas, escadinhas... Restaurantes minúsculos e cheios de charme, cardápios de formule sim, mas caprichados, como essa entrada aí da foto... Gordes  é pra ficar por ali, saboreando...
As caves de St. Firmin  são uma visita que vale muito se você é daqueles que gosta de absorver a história do local... Interativo, do jeito que eu gosto, com áudio em português, dá pra ter uma ideia de quão duro e insalubre era o trabalho de prensagem das azeitonas para a obtenção do azeite... Os frutos vinham colina acima em cestos no lombo de burros, e os homens empurravam pedras e engrenagens pesadíssimas nas caves medievais...
Saindo de Gordes , na abadia de Senanque , os campos de lavanda ainda estão verdes... Mas aqui e ali , pequenas manchas roxas começam a surgir, anunciando a primavera. Aliás, o ar por aqui é perfumado. Cheira a lavanda...


Pedalando em Paris à noite: histórias e lendas...

Programa que eu super indico, esse, pra quem gosta de pedal na rua.  Foi muito bom , pedalar pela Paris vazia de carros. A noite fria pra nós, cariocas, um ventinho gelado que atravessava o casaco de fleece. Ainda bem que tinha luvas e gorro. Mas foi muito bom, sair de Marrais, atravessar as ilhas do Sena, e passar pelos marcos principais da cidade, agora iluminados: Notre Dame, Conciergerie, Pont Neuf , Alexandre III e outras tantas pontes, Grande e Petit Palais, Museu D'Orsay, Praça de la Concorde, Champs d' Elysées... Brinde à meia-noite em frente à Eiffel , que pisca nesse horário como uma árvore de Natal. Depois, passando por baixo dela, ainda dar uma parada no Louvre, a pirâmide ainda acesa... Onde foi aquela horda de turistas enfurecidos que estavam ali pela manhã? O Louvre assim, vazio, parece mais o Louvre... Palácio que foi construído fora da cidade (na época, né) para que a corte pudesse se mudar do outro castelo , o prédio da Conciegerie , onde a proximidade da margem do Sena  trazia um mau cheiro insuportável para os nobres.
Aprendi que Santa Genoveva, que dá nome a uma das pontes, é a padroeira de Paris. E que o hotel de Ville, lindo, e hoje sede da prefeitura, foi destruído e reconstruído exatamente como o original. E que lá na Concorde se realizava as execuções , e depois de muito tempo que as mesmas foram extintas, cavalos e burros se recusavam a chegar perto, devido ao cheiro de sangue... E lá ainda tem o Obelisco , que o rei do  Egito "deu" à França não sei em que época, e que tiveram que tirar a frente de um navio pra ele poder caber... As imagens da fachada de Notre Dame foram degoladas na época da Revolução pois poderiam representar os reis ... Histórias e mais histórias de uma cidade incrível, muito show !

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Paris

A correria em Paris não me permitiu escrever. Agora, em Avignon, na cama confortável do hotel, vou tentar fazer um apanhado das minhas impressões da cidade-luz:
Paris é intensa. Rica demais. Merece uma visita de muitos dias. Ou muitas visitas. Bem, pisei lá no Marco Zero, então estou tranquila. Merece tempo, não só pelas quantidade de monumentos, museus e de história, mas para que a gente possa absorver um pouco o modo de ser do parisiense. Um modo , a meu ver, bem  charmoso de ser. Vamos a algumas impressões:
O parisiense não me pareceu mal-educado como dizem. Achei-os inclusive de uma polidez educada, sempre com um pardon no metrô ou em bonjour nas lojas. Não é possível querer compará-lo ao modo de ser do carioca, é outro povo, outra realidade, outra cultura. Até o olhar deles para os músicos que tocam no metrô por moedas ou aos pedintes de ticketes-restaurante nas ruas ( sim, há pedintes em Paris) é diferente. Andamos muito de metrô e deu pra observar bem as pessoas.
Os parisienses realmente tomam sol nas margens do Sena, ou nas praças e jardins. Comem baguetes enquanto andam na rua, indo ou vindo dos seus afazeres. São esguios, e têm um olhar altivo, mas conversam muito ,  gostam de correr, andam muito de bicicleta.
O metrô de Paris: funciona. Realmente ele vai a todos os cantos, interligando com as linhas de trem (RER), é preciso prestar bastante atenção ao mapa, números são linhas do metrô, letras são linhas de trem, e em que estações é possível fazer as transferências de linhas.  Necessário também estar ciente que o passageiro precisa manter seu ticket até o final da viagem, pois há blitz de segurança às vezes em algumas estações, e caso você não o tenha, multa de 32 euros... O ticket também é necessário quando você faz a conexão com as linhas de trem, em algumas é preciso inserir novamente o ticket nas catracas.
Cada estação do metrô é diferente da outra, cada linha sendo de uma época, imagino eu. A sinalização é padronizada em todas elas e funciona. Mas quase não há funcionários, as bilheterias fechadas, substituídas pelas máquinas que, diferentes das nossas, dão troco. E atenção, uma coisa muito importante : muita escada. Porque as linhas passam umas sob as outras, em diferentes níveis, então há muitos degraus entre elas. Escadas-rolantes há , mas em uma ou outra estação . Os trens também são diferentes, uns bem antigos, parecendo aqueles trenzinhos antigos, outros mais moderninhos, com aqueles bancos estofados coloridos como temos por aqui.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Tá aí, eu não gostei do Louvre, e daí?


Explico: Gostei do prédio, da sua imponência e tamanho, dos detalhes nos tetos e nas paredes. Adorei a pirâmide, a grande e a invertida, o Carrossel do Louvre com suas lojas, o pátio interno, a entrada, de tudo isso eu gostei. Mas, como museu, não. Que adianta ter quarenta mil peças no acervo, se você fica naquele labirinto sem saber pra onde vai? Quem entende aquele mapinha safado dos andares? E aquele mundo de gente, Senhor, na saída então, parecia Maracanã em dia de jogo, coisa claustrofóbica num lugar tão grande??  Eu não vi a Mona Lisa porque não quis, não fazia a menor questão. Vi a Vênus de Milo, cercada por uma horda de turistas asiáticos, é verdade. Vi a Vitória da Samotrácia , recuperada pelos iens de uma empresa asiática. Aliás, diga-se de passagem, Paris deve estar definitivamente na moda para os orientais . É um casal de noivos posando pra foto em cada ponte, coisa incrível. Mas voltando ao museu: Os funcionários do Louvre têm todos aquele olhar-zumbi, como quem está ali e não está, e se tem essa história que os franceses são mal-humorados, então todos os mal-humorados trabalham no Louvre. Pois nos outros lugares, temos sido recebidos por franceses polidos, que procuram na internet a informação que você precisa, e ainda escrevem num papelzinho. Aconteceu conosco duas vezes. No Louvre não, parece que estão zumbizados. O que é compreensível, depois de passar pela experiência de enfrentar aquela turba enfurecida todos os dias. E tem turista que não tem noção de nada, leva crianças pequenas pra um programa daqueles, e o resultado? Crianças correndo pelos corredores entupidos, ou tentando quebrar a ponta invertida da pirâmide com um golpe voador de pernas.
Esperava mais do Louvre.  Não no quesito "palácio" pois nesse ele é nota dez. No quesito " museu", no entanto, ele me pareceu rígido e arrogante, sem interatividade, sem criatividade, muito orgulhoso do seu acervo que , se fosse menor e mais bem transado, seria bem mais gostoso de degustar.

domingo, 24 de maio de 2015

Em Notre Dame

Então me lembrei que o que tinha me levado ali, àquela hora: não tinha ido  " turistar", assim fui me infiltrando até achar um lugar onde  a fita de isolamento da lateral da nave permitia acesso às cadeiras, achei meu espaço e sentei. Pronto. Passei a fazer parte daquele imenso grupo que ignorava os infiéis. Do sermão em francês, entendi apenas que o padre falava do amor de Deus, e já me senti em casa, Padre Monerat falando sobre o mesmo tema na Igreja de Santo Inácio. Dei e recebi a paz de Cristo .  Rezei o Pai Nosso  com os irmãos franceses e partilhei da Eucaristia ao som do órgão de  Notre Dame. Os turistas tinham ido embora, ou pelo menos assim pareceu. Paris começava a fazer sentido pra mim.

De volta ao primeiro dia

São seis horas da manhã em Paris. Bonjour. Vou tentar falar um pouco sobre o primeiro dia aqui, antes que tantas outras emoções, fotos e lembranças se misturem na minha cabeça. O aeroporto Charles de Gaule é um mundo. A Bastilha é um bairrinho bem legal. Não, os parisienses não me pareceram grossos ou mal-educados, me parecem mais pacientes que os americanos... Falando neles ( nos americanos), inevitável perceber como o "american way of life" faz parte de nós; nas primeiras horas em Paris, fomos à loja da Apple, traçamos um sandubão no Subway,  e encontramos refúgio e Wi-Fi na Starbucks !  Tem certeza que não estamos em Miami? Risos. Dizem que os mineiros saem de Minas mas Minas não sai deles... Mais ou menos por aí.
Andar de metrô em Paris é a pedida. Graças aos mapas das linhas, fornecidas por irmão e amiga ! Primeiro dia aqui e tomamos o metrô do Ópera pra Bastilha, da Bastilha pra Concorde atrás de uma loja de esportes, e já começamos a nos sentir locais ! Até que , voltando pra "casa" , deparamos com uma blitz de securité: você tem que apresentar o bilhete da viagem que está terminando ! Como assim, tinha que guardar o bilhete??? Sim, tinha, e como um de nós havia jogado o seu fora, multa de 32 euros !!! Ainda bem que tem maquininha de cartão pra você pagar a pena... Alguém sabia disso? Não li sobre isso em lugar nenhum !  Vivendo e aprendendo... No domingo passamos por outra blitz dessa no metrô mas agora já estávamos cientes... Então, mais tarde, quando os meninos foram pro jogo do PSG no Parc de Princes (de metrô) , guardei com cuidado meu bilhete até a estação de Hotel de Ville. De lá, saí à procura de Notre Dame...  Uma placa indicativa, um restaurante chamado Quasímodo... Ah, sim, estava no caminho certo... Encontrei fácil a catedral, e entrei na longa fila  que se formava pela praça.  Observei uma cigana ali perto e lembrei-me , mais uma vez, do filme do Corcunda da Disney... é, certas coisas nunca mudam. A fila era rápida pois a entrada era free, os turistas  percorrendo a lateral da igreja, tirando fotos e tagarelando em voz baixa, enquanto os fiéis compenetrados, lotando a igreja, ouviam a homilia, ignorando solenemente  aquela procissão de invasores.

Dia cheio no museu

Perdemos a hora e não conseguimos ver o túmulo do velho Napa ! Tudo bem, a gente tenta voltar amanhã... Então , um descanso na grama do Camps de Mars, que ninguém é de ferro, exceto a Eiffel !  Curioso são os com-cara-de-árabe com um balde cheio de gelo nas mãos, vendendo garrafas de vinho ou champanhe para os desavisados que não levaram sua bebida... Preferimos uma coisa mais light no quiosque e encaramos a fila pra subir até o segundo andar da torre. Valeu muito ver anoitecer e a Eiffel se acender... Programão, valeu muito todos aqueles degraus ! 

Almoço de verdade

Voltamos à Bastilha , e,  agora com Daniel, traçamos a meta: Museu de las Armés. Mas antes um almocinho maravilhoso no restaurante EntreCôte, na "nossa" rua: Pavé de steak avec salada  e as melhores batatas fritas que já comi !   

Segundo dia primeiro...

Bem, vou começar falando de hoje! E depois conto de ontem, porque as fotos de ontem estão em outra  câmera, e tal. Depois de um descanso merecido, acordamos numa Paris ensolarada, e ganhamos a rua sob um céu azul... Fomos  a pé da Bastilha a Ile de lá Cité, eu e Luis, passeando entre turistas e parisienses com suas crianças num domingo bem Aterro do Flamengo, uns correndo, outros só conversando ao sol, os cafés já cheios , enfim, uma linda manhã. Sim, é lindo ver os barcos cheios de turistas no Sena, ouvir os sinos de igrejas várias... A fila para as torres de Notre Dame já dava voltas, então fomos passeando até o Palácio da Justiça e Saint Chapelle, cuja a fila também já estava formada. Voltamos pela Rive Droite do Sena, cruzamos a praça do hotel de Ville e rodamos pela rua de Rivoli e por umas ruazinhas incríveis...