domingo, 28 de junho de 2015

Dubrovnik , verdadeiro Porto Real

Uma coisa que descobri sobre a Croácia é que ela merece uma visita mais demorada.  O casal de mineiros (com o filhinho), que conhecemos na saída de barco, vinha passeando pelo país com um carro alugado, e já tinha passado por  Zadar, pela capital e pelos famosos lagos Pilvitce antes de chegar a Hvar; após a frustração de não ter podido ver as cavernas, iria o casal de Beagá para Dubrovnik, assim como nós. E tinham uma expectativa em relação à cidade, assim como nós. Não fiquei sabendo como foi o encontro deles com  Dubrovnik; o nosso, porém, excedeu a expectativa.
Imaginem um forte de pedras claras contra o mar azul. Muralhas que cercam  ruelas de filme, fontes, igrejas, um porto para levar a imaginação para pontos ainda mais distantes.  Duas pontes levadiças em lados opostos para entrar e sair da cidade, cercadas de flores e de laranjeiras carregadas de frutos. A impressão de que, a qualquer momento, Jaime Lannister ou Arya Stark serão vistos, no alto das muralhas ou nas pedras das docas. Dubrovnik é Kingsland (ou Porto Real), a capital de Westeros. O reino de ficção mais famoso da atualidade, obra da imaginação prodigiosa de R.R. Martin, e da caprichada produção dos feras da HBO. Set de locação de diversos capítulos da série épica "Game of Thrones", os mapas turísticos de Dubrovnik já apontam os locais onde foram rodadas cenas de "As Crônicas  do Gelo e Fogo" e guias oferecem uma excursão a pé com explicações sobre curiosidades ocorridas durante as gravações, além de levar os fãs sequiosos a lojas que vendem produtos autorizados dos Sete Reinos.
Dubrovnik é  demais! Para mim me pareceu quase com  uma parque da Disney, só que histórico. Houve momentos que quase duvidei ser real, e um comentário do Luis reforçou essa impressão, reparando os muitos telhados novos de algumas construções, mas de que maneira alguma deixam de harmonizar com o conjunto arquitetônico da cidade. Só mais tarde , no dia seguinte, iria entender o porquê.
O passeio nas muralhas é imperdível. Sugiro fazer sem pressa, apreciando mesmo, parando para fotos, se permitindo tempo para entrar no clima . Imaginar como era morar numa cidade murada, incrustada junto ao mar. O título de "Pérola do Adriático" é adequado. De preferência, ir no finzinho da tarde, aproveitando a luz mágica desse horário, e também para fugir do sol quente.  À noite, Dubrovnik fica ainda mais mágica e movimentada, com todos os turistas que estiveram passeando nas imediações procurando os muitos restaurantes e kanobas para jantar nas ruelas de pedras claras e polidas, iluminadas por lampiões. Pena que não houve tempo para ouvir o concerto de violinos no mosteiro franciscano às 21 horas, de visitar o palácio Sponza por dentro, e de conhecer todas as igrejas, que são muitas, algumas sofrendo restauração no seu interior. Porém não pode ter sido coincidência que, ao procurar por mais um ponto que foi cenário de GoT, tenha entrado em uma linda, com colunas de mármore rosa ( tão familiares!). Foi o Luis quem descobriu:  Igreja de Santo Inácio...  Mistura de ficção e realidade, tão parecida com a nossa igreja aqui, por dentro, e muito parecida, por fora, com a Casa do Preto e do Branco, da série, templo do deus de muitas faces... A escada que leva ao patamar onde fica a igreja é a escada da antológica cena da rainha Cersei, no bombástico último capítulo dessa temporada. Eu estive lá ! Dois dias antes de ver a season finale, num ônibus a caminho de Split... Mas essa é outra parte da história...
Dubrovnik conta com um teleférico moderno, que leva os turistas para uma visão panorâmica da cidade, do alto do Mount Srd.  Nossa anfitriã Petra nos explicou que o teleférico, por ser uma iniciativa particular, não é muito bem visto pelos habitantes, pois a renda arrecadada não reverte, como no caso das atrações históricas, para o interesse público. Porém lá em cima da colina fica o Forte Imperial, que segundo ela, valeria uma visita. Assim, turistas que éramos, pegamos o bondinho,  embora depois tenhamos descoberto que um caminho em zigue- zague dá acesso à pé ao forte, para quem não estiver disposto a caminhar e não quiser desembolsar suas kunas com o transporte.
E lá em cima, no forte simples com nome tão pomposo, construído há pouco  mais de duzentos anos (durante a ocupação de Napoleão) , como uma sentinela de uma cidade que está lá desde o século  VIII  ( isso mesmo, século oito! ) você tem um choque de realidade e começa  a entender melhor a  cidade, e a Croácia. E gostar dela ainda mais.
O Forte Imperial é hoje um museu, mas eu diria que é mais um memorial, do ataque sérvio à cidade, em 1991. Guerra que durou quatro anos, resultado da não-aceitação da independência do país do antigo bloco socialista iugoslavo. Aquela cidade de bonecas, de maquete, de filme, foi bombardeada pelos sérvios, que não se importaram com doze séculos de história. Quem tem a nossa idade hoje, tinha 30 anos durante a guerra, ou seja, muitos da nossa idade já eram pais e mães nessa cidade sitiada. O forte foi o símbolo da resistência ao ataque do exército da Sérvia, belicamente muito superior do que os despreparados e pobremente armados soldados croatas.  Ver, em fotos, lugares destruídos e bombardeados nos quais, agora, posamos pra foto, permite um entendimento menos raso desse povo ainda meio desconfiado; povo que olha a massa de turistas como potencial de crescimento mas ainda com cerimônia, com um certo distanciamento cauteloso.  As telhas novas nos telhados não são sinônimo de um falso cenário, mas da reconstrução ainda em andamento. A Croácia luta também com um governo corrupto, palavras do próprio Mark, motorista do hotel Podstine. O que nos faz, brasileiros e croatas, ainda mais próximos...





quarta-feira, 24 de junho de 2015

Dois dias em Hvar é (muito) pouco

Quando escolhi Hvar como destino na Croácia, foi devido a fotos e relatos que me mostraram um lugar de mar bonito, passeios de barcos, cavernas azuis e praias atraentes. Hvar contudo é famosa também por ser um lugar de balada, com bares em praias nas ilhas próximas, e que promovem festas até a madrugada, oferecendo retorno "seguro" em táxis-boats. Essa não era a nossa vibe mas talvez explique a quantidade maciça de brasileiros por lá, principalmente jovens.
Hvar tem um astral assim meio Búzios. Muitas prainhas a serem visitadas, principalmente de barco , mas não pense que vai encontrar lá alguma areia, no máximo aquela praia de pedrinhas brancas que machucam o pé. Crocs ou Havaianas são a dica pra quem não quiser investir nas sapatilhas próprias para andar nesse tipo de litoral. O mar é de um azul claro no raso, muito por conta dessa falta de areia, e de um lindo  azul profundo no horizonte. A ilha oferece outros pontos que merecem ser conferidos, além do centrinho de Hvar; não  houve tempo, entretanto, para um passeio de  bike para explorar a ilha, como eu desejava. É, o tempo escorre rápido mesmo nos longos dias de sol que o horário de verão propicia. Saímos para um passeio de lancha às famosas Blue Cave e Green Cave, com parada para almoço em alguma outra ilha e fim de tarde na praia de Palmiziana.  Na saída,  porém, ficamos sabendo que a ida à caverna azul não seria possível, devido às condições do mar.  Mar mexido? Hummmmm.  Nessa viagem concluí, conscientemente, que o que gosto do mar é a praia ! Volta, que eu quero ficar em terra firme !  Já que voltar atrasaria muito o passeio ( havia mais dois casais com a gente, sendo um casal brasileiro com um menininho pequeno) , o marujo nos deixou na Praia de Palmiziana, que seria a última parada do passeio, dizendo que nos buscaria entre quatro e cinco da tarde. E assim passamos horas de descanso numa prainha gostosa, com direito a um almocinho caprichado... E, quando fomos resgatados, descubrimos que ninguém viu caverna nenhuma, só sacudiu pra lá e pra cá num mar inóspito...  E nem desceram na última parada,  de tão enjoados que estavam, só pararam lá mesmo pra nos buscar... Ah, obrigada, Senhor, por eu ter dado piti e ter ficado ali naquela prainha...
De volta ao hotel, um banho e saímos de novo para o Centro: o rapaz da lancha havia dado uma dica de um restaurante fora do circuito "pega-turista", com uma fabricação própria de vinhos, e fomos lá conferir. De fato, o público do Luviji era de locais, croatas bebendo, comendo  e rindo, embora um casalzinho bem jovem de ingleses tenha aparecido por lá.   Aprendi depois que era um ( ou uma?) konoba, ou seja, um restaurante de família . Lugarzinho simples e bucólico, no alto de uma escada de pedra atrás da igreja, com comida mais típica: os croatas se enchiam de bandejas cheias de carneiro mas eu escolhi algo mais leve, uma sopinha de peixe, enquanto o Luis acompanhou o vinho da casa com um prato de carne com champignons. O melhor mesmo foi o bolo de chocolate com geléia de figo e damasco pra fechar a noite, que infelizmente era a última: no dia seguinte sairíamos cedo pra Dubrovnik, sem ter dado tempo de explorar mais Hvar e as outras ilhas... Mas quem sabe a gente volta !

domingo, 21 de junho de 2015

Por que a Croácia?

Há alguns anos atrás certamente esse país não estaria no roteiro da minha primeira viagem ao velho mundo.  Mas, ao contrário dos que muitos pensam, a História é viva e dinâmica, assim como os interesses e desejos da alma, e a Croácia entrou no roteiro por vários motivos, os quais explico:
A Croácia fica muito perto da Itália. Tem inclusive uma fronteira marítima com esse país, e de Roma é possível tomar um voo de menos de uma hora para várias cidades croatas.  Muitas dessas cidades, que agora estão figurando na preferência dos turistas brasileiros, ficam no litoral do país, ou em suas ilhas, o que garante paisagens espetaculares, as rochas brancas do relevo local em contraste com pinheiros verdes e o azul  do mar Adriático. Além disso, para os amantes de História e histórias, a Croácia tem sido cenário de enredos complexos e apaixonantes, tanto na vida real como na ficção, sendo local de filmagens da maior saga dos últimos tempos, Game of Thrones.
Nossa chegada foi por Split, cidade litorânea com um porto que faz conexão com as diversas ilhas e demais cidades  do litoral através de uma malha de ferries-boats.  Como nosso voo vindo de Roma atrasou, perdemos o ferry que nos levaria a Hvar ( pronuncia-se, Ruá, ou algo assim...) Aproveitamos então  pra andar por Split, pois o último barco para a ilha sairia só quase três horas depois.
Split tem um quê de Nice, tendo até mesmo uma promenade, e a mesma charmosa e maciça presença italiana nas ruas, gelatos e pizzas em todos os cardápios.  Porém você começa a sentir que está em contato com outra cultura, primeiro ao ter que trocar seus euros por kunas, e pelo choque do idioma, tão diferente. Ah, tudo bem, quase todo mundo tenta arranhar um pouco de inglês, então  vai dar tudo certo. Pois os croatas sabem que o grande potencial de crescimento do país repousa nesses milhares de turistas, os quais eles ainda olham, contudo, com um pouco de desconfiança, pelo menos foi essa a minha primeira impressão.
Split guarda um substancial conteúdo histórico que infelizmente não foi possível explorar, por falta de tempo. Com origem grega, e tendo sido parte do império romano, abrigando inclusive o palácio do Imperador Dioclesiano, trocou de mãos ao longo dos séculos, fez parte da República de Veneza, foi dominada pelo império húngaro,  e no passado recente fazia parte, como o resto da Croácia , da socialista Iugoslávia.
Já era hora de embarcar, contudo, e corremos pro porto, onde fiquei impressionada com a nossa embarcação: era enorme, capaz de levar carros e caminhões, e nem parecia que se estava a bordo, já que a disposição dos assentos formava várias núcleos, como se fossem pequenas salas de estar. Conforto mais que bem vindo já que a travessia duraria mais que a esperada uma hora, pois teríamos que desembarcar mais longe na ilha, em Stad Grad.  Quase onze da noite, enfim, depois de resgatados pelo transfer, chegamos ao hotel Podstine, numa das extremidades da ilha, depois de um longo dia que tinha começado em Roma as quatro horas da manhã...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Todos os caminhos levam a Roma !

Expectativa.  Frisson.  Finalmente, o tão esperado dia de reencontrar nosso filho,  que andou perambulando pela Inglaterra e Holanda. Volltamos à Florença para devolver o carro alugado e tomar o trem para Roma.  Nosso encontro seria na Termini, estação central de trens da capital italiana.  Daniel viria de Amsterdam de avião e tomaria o Leonardo Express, trem que liga o aeroporto Fumiccino à estação ferroviária. Como ele chegaria primeiro, nos esperaria na plataforma de chegada do trem 9525, o nosso trem.  Que atrasou. Devido, segundo disseram, a um problema na linha. Tentamos trocar a passagem mas a atendente da Trenitalia nos convenceu que o outro trem demoraria mais a sair.  Partimos com atraso de uma hora.  Tudo para aumentar a expectativa! Com a Graça de Deus chegamos, enfim, e reencontramos o filho nos aguardando pacientemente, depois de tomar um café, já que tinha acompanhado o atraso do trem no placar da estação.
Acho que Roma é mesmo o centro do mundo. Todos vêm aqui, de todas as nacionalidades e credos, olhar de perto as ruínas de um império que até hoje nos fascina. Roma nos atrai com um magnetismo inexplicável, e o Coliseu é o símbolo máximo dessa atração. É como uma ciranda inevitável contornar o estádio, e penetrar nas suas formas é um chamado insistente, que tem que ser atendido. Como explicar que um lugar, destinado a lutas sangrentas e injustiças, possa atrair a todos de forma tão  hipnotizante? Que conhecimento da alma humana já tinham os romanos, quando aplicavam a máxima do "pão e circo?"
Não basta entrar no estádio. É preciso tocar no Coliseu, nas pedras frias dos arcos, onde a ventilação natural oferece alívio do sol já escaldante da primavera. É preciso subir suas escadas, encostar nas muradas, olhar a arena.   Achar uma fonte de água potável para aliviar o calor. As explicações do audioguide são necessárias mas não  conseguem transmitir o que é estar no cenário vivo da história aprendida nos livros, vista nos filmes.
Roma é um tesouro para quem gosta de história. E de histórias. Sim, você sabe que muitas vezes só vai encontrar um amontoado de pedras, um muro de tijolos antigos, um fragmento de mármore trabalhado ou o que restou de algumas colunas.  Mas isso faz parte do charme de Roma. Imaginar como teria sido, e ver tantas escavações arqueológicas em curso, nos faz sentir quase como participantes daquela aventura histórica. Dá vontade de ler sobre cada templo, cada fato, sobre  césares e sobre deuses, seus romances e intrigas. De assistir Gladiator pela enésima vez. A areia , porém, escorre sem dó pela ampulheta, é preciso correr, seguir em frente , Roma tem tanto pra ver...  É preciso "ticar " a Piazza Navona, com sua fonte e restaurantes, a Fontana di Trevi ( que está em reforma !), a Piazza di Spagna, também em obras, e o Duomo, sensacional obra de engenharia , e ainda intacta, por ter sido, segundo soube, sempre uma construção com uma finalidade ao longo das épocas, nunca abandonada.
Um buraco na calçada mudou o rumo do nosso roteiro quando saímos à noitinha, para ver o Colosseo iluminado. Daniel torceu o pé e, com dores, precisou retornar ao Brasil mais cedo. Tão tipicamente romana essa virada no enredo ! Com passagem  comprada para a Croácia, tínhamos, eu e Luis, que seguir em frente, sem ir ao Vaticano... Será ?

sábado, 13 de junho de 2015

Um dia em Siena e Cortona

Há dias em que o Universo realmente parece conspirar a favor.  Foi assim com Siena. Uma estrada boa e bem sinalizada nos levou até a cidade, e já ao estacionar, ouvimos o som de tambores rufando. Como assim? Festa? Afinal não era a época da corrida de cavalos na praça central, que empresta fama ao lugar... Logo descobrimos uma procissão de rapazes e homens, vestidos de vermelho e branco, tocando tambores, e mulheres e velhos acompanhando, de lenços vermelhos e brancos no pescoço. Não sei se por ser domingo, ou talvez alguma data especial, só sei que o cortejo seguiu pela rua até uma igrejinha ali perto, onde entraram, gritaram algumas palavras, rufaram os tambores, e saíram fazendo o sinal da cruz. Uma tradição local, imagino.  Alguns rapazes ainda fizeram malabarismos com suas bandeiras, só de farra, e lembrei de imediato,  do filme da Frances Meyers.
Foi muito gostoso andar por Siena, ver suas igrejas de arquitetura similar às de Florença.  A praça central, com seu caimento para o meio, e rodeada por cafés e restaurantes, fontes de água potável , e o imponente Palácio Público.  Sentamos em frente à Catedral e, coincidência, os sinos começaram a tocar, dando um toque especial à contemplação. Perambulando, encontramos uma lojinha de frutas , com uvas que eram um show, e uma loja de brinquedos antigos, com um "ronrom" estacionado à porta.
Ficaria em Siena por mais tempo. Decidimos porém pegar o carro por mais uma hora e chegar até Cortona, afinal o dia estava lindo, e era o local da história da Mayers.
Cortona fica no alto de uma elevação. A estrada serpenteia até lá em cima, e deixamos carro na entrada do vilarejo, no estacionamento com parquímetro. Fomos subindo as ruazinhas, escolhendo um lugar para almoçar. Cortona tem bandeiras penduradas nas ruas, como San Giminiano, embora  aqui elas sejam amarelas e brancas. Lojinhas de souvenirs em casinhas de pedra.  Tudo muito bonitinho.  Enquanto comia uma pizza com rúcula e parmesão em lascas, acompanhada de uma taça de vinho, perguntei à garçonete onde ficava a fonte, onde, no filme, a personagem Frances come uvas enquanto escreve um cartão postal.  A garçonete respondeu que a fonte não existia!  Que foi feita apenas para o filme, e depois desmanchada. Não fiquei sabendo se a informação era verdadeira ou não, guardei as minhas uvas de Siena para comê-las mais tarde. E não fui procurar por  Bramasole, melhor mesmo deixar por conta da imaginação... Para o Luis,  Cortona foi melhor que Siena, por ser assim menorzinha.  Pra mim, no entanto, Siena foi uma descoberta emocionante, com seus tambores, sinos, frutas e flores...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Literalmente sob o sol da Toscana

Partir de Florença não era fácil. Porém a viagem precisava continuar, e havia à nossa espera uma fattoria, a versão italiana ( menor e mais charmosa) do nosso hotel- fazenda.
A Fattoria Voltrona, como tantas outras na região que estavam abandonadas há algumas décadas,  ganhou vida nova com o agriturismo. Quando a industrialização dificultou a vida das famílias tradicionalmente agrícolas, muitas abandonaram o campo e foram buscar novas oportunidades nos centros urbanos. Voltrona era só ruínas quando foi comprada pelo atual proprietário, que ainda tentou, sem sucesso, estabelecer uma produção leiteira.  Nos anos oitenta, alguns alemães pediram para hospedar-se na fazenda, para espanto do dono, devido à total falta de estrutura das casas da propriedade. Esse foi o começo  de um negócio que tem dado muito certo.
Voltrona fica a menos de seis quilômetros de San Giminiano, que é mais uma  cidade medieval, com suas torres, ruas estreitas, muros de pedra , lojinhas e muitos restaurantes.  Jantamos no Le Vecchie Mura, que tem um terraço panorâmico sobre o vale. A comida nem é lá essas coisas, mas vale o ambiente e a vista.  Voltrona também serve de base para tiros mais longos, como Siena, Volterra ou Cortona. Claro, um carro é essencial para realizar esses passeios. E voltar deles no fim da tarde, sob o sol de quase trinta e cinco graus da Toscana, e encontrar uma piscina com borda infinita para as videiras é, no mínimo, reparador! O café-da-manhã também é um ponto alto da fazenda, com geléias caseiras e um iogurte maravilhoso. Há cavalos pra quem quiser montar, e aluguel de scooter, mas o bacana mesmo é curtir a visão dos ciprestes italianos, suas sombras se esticando sobre o gramado por conta do sol que não quer deitar,  passar os olhos pela ondulações verdes de videiras, e sentir o aroma das flores de lavanda.
Não fomos a Volterra ( apesar do local ter ganho destaque por causa da Saga Crepúsculo). Preferimos rumar pra Siena  e, quem sabe, Cortona...

terça-feira, 9 de junho de 2015

Florença no coração

Todo mundo que eu conheço que já esteve em Florença fala super bem da cidade e comenta que é preciso conhecê-la. Certo,  sabia que havia muito o que ser visto, mas confesso que tinha uma impressão de que, no fundo, Florença seria uma cidade chatinha com uma localização ótima, pois a partir dali seria mais fácil conhecer cidades menores da região da Toscana.
Florença me surpreendeu. Mais que isso, Florença me encantou.  Talvez porque tenhamos sido tão bem recebidos no hotel que seria "o mais fraquinho" da viagem, e que, todo reformado, se revelou uma grata surpresa. Porque recebemos do staff do hotel toda as informações necessárias, como ir aos  pontos mais importantes, qual ônibus tomar para chegar à Praça Michelângelo a tempo de assistir ao pôr-do-sol se refletir nas águas do rio Arno... Informações tranquilizadoras de como a cidade é segura , a dica do Mercado Centrale com seus restaurantezinhos tipo Cobal do Humaitá... O Gerente do hotel, Maurício, alegre e brincalhão, que deu um jeito do wifi voltar a funcionar no meu tablet...  A feirinha de produtos em couro na rua ali em frente, luvas femininas de todas as cores combinando com as bolsas, jaquetas e carteiras masculinas e casacos femininos elegantes e diferentes.... E a lanchonete Focacine, então, que vende pizza a taglio (pedaço)  deliciosa, por 2 a 4 euros...
Uma localização bem escolhida em Florença faz toda a diferença,  pois estando dentro ou mesmo perto do Centro Histórico, é possível ir aos principais pontos turísticos a pé, da Ponte Vecchio à Galeria dell'Accademia, onde está o verdadeiro Davi, do Mestre Michelângelo.  E a cidade, com as suas muitas ruazinhas de pedestres, e turistas de todas as nacionalidades,  é alegre sem ser caótica, é limpa, é organizada, pareceu-me Florença uma cidade em festa com a chegada do calor e dos euros dos viajantes, ávidos por ver tantas esculturas e obras de arte na Uffize ou mesmo a céu aberto.
Florença também revelaria outras emoções, pelo menos para mim: não contava visitar as Galerias e, ver de perto obras de arte tão famosas, me levou de volta ao primeiro ano do ginásio... Meu livro de História da quinta série, recordo bem, tinha uma foto colorida, ocupando toda a página, da escultura de Davi...  Um outro lapso de tempo, e estava eu de volta à sala de aula de História da Arte da faculdade, as cortinas fechadas sobre as venezianas de madeira para que pudéssemos vislumbrar , nos slides esmaecidos da velha professora, obras como O Nascimento de Vênus, de Botticelli. Fiquei refletindo sobre o fato de que, nas duas épocas, não poderia imaginar que veria ambas as obras de perto... Na praça della Sigonorina, a escultura de Hércules derrotando o centauro Nessus me fez lembrar Daniel pequenino, com sua fita VHS do desenho e seus bonecos de ação dos dois personagens mitológicos... Meu menininho que, agora um  jovem, estava viajando sozinho por outro pais, vencendo também seus desafios...
Dizem que cada lugar se revela ao viajante de uma forma, e é verdade.  Pois cada viajante traz consigo a sua bagagem emocional , e muitas vezes o que é desinteressante para um é especial para outros.  Para mim,  Florença falou ao coração...

Sereníssima

Acho que não falei tanto sobre Veneza como a mesma merecia... Veneza foi nossa porta para Itália, e chegar à Itália é quase como chegar em casa. Sei lá, foi uma sensação gostosa de ser bem acolhida. Em Veneza nosso anfitrião Christian nos buscou no aeroporto Março Polo de carro, suado e um pouco atrasado, como todo bom italiano falando pelos cotovelos. Uma graça, o Christian. Fomos recebidos muito bem, e como ainda faltava uma hora para o checkin, ficou com nossa bagagem e nos aconselhou o "Piero", uma tratoria ali na rua mesmo, para que matássemos a fome por um preço justo, antes de encararmos a lindíssima ( e caríssima) Veneza histórica. Ensinou qual ônibus tomar, aonde, e a que horas era o último para voltarmos, nos adiantou os bilhetes de ida e nos orientou a comprar o passe de 24 horas, que dá direito a transporte por terra ou por água ( ônibus e vaporetos). Riu da nossa pergunta se o lugar era seguro, não, não há problema, podem chegar à hora que quiserem, só empurrar o portão... Pousada limpa , quarto com ar condicionado  e banheiro moderno. Mas o melhor foi ser acolhida  assim, de um jeito caloroso e quase brasileiro.
Veneza  é linda. Principalmente depois que você a deixa, fica aquela impressão que você ( e mais um milhão de turistas) passou por um lugar especial.  Veneza tem seus problemas, e o próprio turista é um deles, aquele que deixa lixo, que não se importa, que tagarela sem noção... Tem a exploração do mesmo turista, de um jeito que deve ser característico da cidade, em qualquer lugar , não importa muito o  que você consumir vai acabar dando, no mínimo, dez euros. Veneza têm camelôs indianos e africanos vendendo suporte para fazer "selfie" com o celular, como em outros lugares por quais passamos, Paris, Avignon,  Nice. Veneza também tem um ou outro esmoleiro, mas o que mais me espantou são as mulheres, a la muçulmanas,  que quase  se deitam no chão, em posição de súplica, com seu copinho de papel para as esmolas. Estavam também na Champs d' Elyses, em Paris, de unhas pintadas e esmolando...
Veneza tem seus encantos, principalmente quando o sol baixa, os grupos de visitantes começam a ir embora, e as luzes da cidade começam se acender... Dá vontade de ficar por ali à noite...  Porém o último ônibus 19 sai às  21:30, e não quisemos arriscar a ficar até mais tarde , e depender do ônibus 4, que sai de uma em uma hora, sendo o último à uma da manhã. O jeito é dizer  al riverdeti àquela Babel horizontal e aquática, que apesar de ser caótica, também é poética...


sábado, 6 de junho de 2015

Roteiro para Veneza

Para um dia em Veneza,  é altamente recomendável o seguinte kit básico : um mapa da cidade ( você vai se perder mesmo com ele) , um passe de 24 horas ( que lhe permitirá tomar quantos vaporetos quiser), um chapéu ou boné, caso você vá no fim da primavera como nós), e, muito importante, seu lanchinho básico e uma  garrafa d'água, pois tudo em Veneza é o triplo do preço.
O mapa vai ser útil para marcar os pontos que mais gostou, caso deseje retornar. O passe foi uma grande dica do anfitrião da pousada que ficamos, na Veneza terrestre ( pousada que eu super recomendo). Custa 20 euros mas também serve para o ônibus que interliga com a Veneza propriamente dita. É como você vai se perder mesmo e andar muito, poder embarcar direto no vaporeto em uma das muitas paradas é muito mais prático e econômico, até porque fatalmente uma hora você vai tomar o vaporeto na direção errada...
Veneza é um labirinto de ruelas , pontes e canais. Algo realmente único, diferente, e lembra uma torre de Babel na horizontal, tamanho o burburinho e a quantidade de turistas de todas as nacionalidades. Muito diferente da parte da Veneza terrestre onde ficamos, tranquila como uma pequena cidade , onde ainda se escuta o canto dos pássaros.
Em Veneza, um grande erro (que nós cometemos) é sentar em algum barzinho da Praça São Marcos. Você pagará dez euros numa long neck mal gelada, seis euros pelos músicos , e por aí vai. Tudo em Veneza é muito caro, até os toaletes custam exatamente o triplo do que nos outros lugares que estivemos. E, pasmem, fecham às 19 horas !
Andando a esmo, você irá encontrar um cantinho com o qual se identifique, e aí sim poderá desfrutar da cidade. Encontramos o nosso num local que apelidei de "murinho da Urca". Um canalzinho com barzinhos dos dois lados, onde as pessoas compram bebidas e beliscos, e as levam para o murinho do canal , bem estilo Urca. Como queríamos voltar no dia seguinte a esse ponto, taí a importância do mapa.
Alguns pontos são essenciais de passar para foto,  como a Basílica de São Marcos e o Palácio Ducale. Depois de andar tanto de vaporeto, e de ver tantas gôndolas, confesso que não tive vontade de andar em uma delas ( talvez pelo sol intenso) , e me contentei com mais uma foto de cartão-postal.
A estação de trens Santa Lúcia, na ilha , é moderna e funcional. Há realmente a possibilidade de deixar suas malas ali enquanto passeia-se pela cidade (6 euros pelas primeiras cinco horas, e depois, por fração). Achei organizado, os funcionários digitalizam seu passaporte  e entregam um ticket para a retirada. Tem uma filinha, principalmente na parte da manhã, onde as hordas de turistas chegam em profusão... Na hora da retirada foi tranquilo, até porque fomos com bastante antecedência, preocupados com a hora do trem para Florença. Trem, por sinal, tão bom quanto o TGV!
Ainda em relação ao passe de transporte, com ele é possível ir às ilhas de Murano e Burano. Fomos à primeira , famosa pela produção do vidro que leva seu nome, mas não deu pra explorar muito a ilha, por causa do horário ( e do calor). Minha dica, se você só tiver um dia em Veneza, é ater-se à ilha principal e reservar 80 euros para o passeio de gôndola (caso faça muita questão, pois o preço é fixo por gôndola, não importa se com seis ou dois passageiros). De resto, é perambular mesmo pela Sereníssima, título que era dado somente a reis e nobres, e que é predicado da cidade...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Nice, Nike, Nikeia

Voltando ao tema das placas em dois idiomas em Nice, e a questão de ter tanto italiano na cidade... o local  já foi da Itália! Várias vezes a cidade trocou de mãos, e isso explica por que os italianos se sentem tão à vontade em Nice!  O segundo idioma nas placas de rua não é italiano, porém. Pesquisei e descobri que é niçoise, algum tipo de dialeto, acho eu, usado na região há tempos atrás. Região que foi habitada, algum séculos antes de Cristo, pelos gregos ! Sim, os gregos vieram e se instalaram, mas não antes de batalhar com o povo local (de origem celta), e devido à tal disputa, na qual os gregos saíram vitoriosos,  a cidade ganhou o nome de Nikeia, em homenagem a Nike,  deus da vitória.
Os romanos chegaram depois (e estão chegando até hoje !). A cidade velha mostra bem isso , com sua arquitetura italiana.  Massas e gelatos são comuns aqui, somados aos frutos do mar.  E o vinho pode ser francês ou italiano, depende de onde você escolher sentar pra almoçar...
Nice tem seu charme.  Assim meio Copacabana, o decadente se misturando ao ar livre da Promenade e ao mar, que equaliza todas as coisas. Nice tem também muitas áreas de lazer , e uma galera bonita  que corre no calçadão e que anda de bike, casais com crianças,  e velhos que se sentam ao sol nas cadeiras de ferro pintadas de azul, de frente pro mar.  Gente de todas as idades dirigindo suas scooters, e hotéis à beira-mar, com suas fachadas grandiosas como o Negresco, e que atraem o ofício dito " o mais velho do mundo".  Praia de pedrinhas que machucam os pés dos desavisados, e banheiros  públicos a cinquenta centavos, limpos e honestos. Uma localização privilegiada, próxima a pérolas medievais como Èze e St. Paul de Vence, ou a perfeita Mônaco.
Aprovada como base na Côte D'Azur?  Sim, aprovada!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Entre o lindo e o mágico

Visitamos duas pequenas vilas medievais no mesmo dia.  Primeiro, a uns 13 km de Nice, Saint Paul de Vence; já no fim da tarde, Èze, a uma distância mais ou menos parecida, mas para o lado do mar.
Que bom que foi assim. Saint Paul surge na estrada à sua esquerda, no alto de uma elevação rochosa, e você fica se perguntando como fazer para chegar lá. Realmente é necessário avançar em direção à cidade de Vence, e retornar, somente na descida se tem acesso à vila. Que é uma graça, claro. Toda murada e cheia de lojinhas de arte, Saint Paul é assim mais refinada, já que muitos pintores e artistas a elegeram como moradia ou inspiração. Restaurantezinhos charmosos, e logo na entrada do centro murado você pode estudar o mapa  do conjunto histórico e percorrer as ruas a partir de um roteiro numerado. Nada de quinquilharias e souvenirs aqui, tudo de bom gosto, ao meio de construções de pedra e muros floridos. Um localzinho realmente incrível, até você chegar a Èze.
A diferença ente as duas vilas é que Èze é mágica. Poucas lojinhas, muito mais casas, escadinhas, ruazinhas curvas que escondem recantos floridos, passagens em arcos de pedra. De repente, no cantinho de um muro, a entradinha para um hotel cinco estrelas. Discreto, claro, porque Èze é assim, docemente misteriosa. Num outro nicho de pedra, em uma janelinha, um rapaz vende azeites em latinhas decoradas, aromatizados com alho, especiarias e manga, oferecendo uma prova dos mesmos numa minúscula colher.  Com detalhes que nos fazem acreditar que estamos numa janela do tempo, Èze é uma mistura da Vila de Bri e do Condado, entende quem vive no mundo de Tolkien.  Parece que a qualquer momento um hobbit vai passar correndo e entrar em uma das casas de pedra! Batendo a pequena porta de madeira.  Emoldurando todo esse ambiente, flores nas janelas e muros, o sino da igreja tocando,  e , lá embaixo, o azul do Mediterrâneo.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Monaco


Mônaco é uma cidade... de filme.  Ou de televisão, onde costumamos vê-la nas transmissões de Fórmula 1.  Aliás, as estruturas das arquibancadas estavam sendo desarmadas, deve ter havido alguma corrida nos últimos dias. Super legal ver os guardrails nas ruas e passar naquele túnel onde vimos o Senna passar!
Mônaco é toda certinha, uma mistura do velho e do novo, tudo limpinho, tudo bem tratadinho, lojas chiquérrimas convivendo tranquilamente com a parte histórica da cidade. Há lojas e restaurantes para todos os bolsos, entretanto, e tirar um dia para flanar pela cidade pode ser muito divertido. Lá no alto do rochedo, o Musée de Oceanographie é um show, tanto pela construção e visual, como pelo acervo interativo. O Cassino é aquela coisa, você vai lá e tira uma foto, porque ninguém tá aqui pra perder seus suados eurinhos em máquinas caça-níqueis ou coisa que o valha. O ônibus sight-seeing ( aquele que você vai em cima, ao ar livre) é uma boa pedida (embora caro , 21 euros por pessoa) , pois você pode saltar e voltar a subir nos pontos de parada ( mão na roda pra chegar ao museu de oceanografia, lá no alto).  Atenção somente aos horários, como em outras atrações lá em Nice, o último ônibus para de rodar às 18 horas!  O que é meio absurdo, já que o sol se põe quase às nove da noite.
O caminho de Nice a Mônaco também é super agradável , a gente tentou ir pela Basse Cornice mas acho que fomos mesmo pela Corniche do meio, que passa em Èze.  Mas Èze, Èze é  umaoutra história...

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Nice à noite e de dia

Tive que ir pra internet para poder entender melhor Nice, e o porquê das placas nas ruas do centro histórico em dois idiomas, francês e um outro, que não consegui identificar.  O áudio na viagem do trenzinho turístico ( não o trem elétrico, com teremos no Rio, pois esse é mesmo para transporte público, para locais mais distantes da cidade) estava horrível , e preferi pesquisar por minha conta...
Nice é uma cidade com muito pra se ver, é certo.  Como nossa primeira saída aqui foi à noite, a minha primeira impressão não foi boa. Tá certo, a escolha do local do hotel não foi a melhor ( perto do aeroporto mas longe de tudo) e uma greve parcial de ônibus local (!) complicou um pouco nossa vida no primeiro dia. À noite, os restaurantes lotados do centro ( afinal era sábado) , servindo caldeirões de mexilhões (irc) e frutos do mar, e o movimento na orla tipo Copacabana ( com as "primas" inclusive) me fez pensar se tinha sido uma boa escolha fazer Nice de base. Acabamos  comendo um sanduíche no Subway ( thanks for the american way of life) e conseguimos pegar um extorsivo táxi até o hotel, já que, além da greve, os ônibus param de circular às oito e meia da noite , quando aqui ainda está claro.
Dia seguinte, sol brilhando, domingo, tudo ficou diferente. Aqui na França, esse último domingo de maio é a " Fête de la Mére" (Dia das Mães) e o dia realmente estava lindo para se ficar ao ar livre. Famílias, jovens e velhos enchiam a Promenade , e as muitas áreas de lazer da cidade. Pra completar, uma feira italiana no calçadão trazia mais animação ao local. Nice é uma praia sem areia, de pedrinhas, mas com aquelas possibilidades de local turístico ( alugar jetski, passear de pára-quedas puxado por lanchas, etc) . Os habitantes locais divertem-se no entanto nas áreas de lazer, com muitas opções para as crianças. Muitas crianças e famílias por aqui, como no domingo em Paris, de bicicleta, patinetes (muitos) e adolescentes com seus skates.

A ponte de Avignon

Engana-se quem pensa que Avignon é monocromático no tom amarelo de seus muros e construções .  As águas do Ródano trazem um colorido à cidade, e na ilha que há no meio do rio, um parque verde de lazer oferece gramados para piquenique, ciclovia e banquinhos na margem do rio. Rio que, se hoje está domado por cinco barragens, no passado era considerado um deus, devido à fúria de suas enchentes.
Diz a lenda que um pastor bem jovem, de nome Benezèt , ouviu uma orientação divina para ir até a cidade dos Papas e informar que fosse construída uma ponte que ligasse Avignon a Villenueve, na outra margem. O que parecia impossível, devido à impetuosidade do rio. Para comprovar sua "missão divina" , Benezèt ergueu uma pesada pedra , que ninguém antes conseguira mover ( bem no estilo Rei Arthur, hem) e essa foi a pedra fundamental da construção da ponte. Uma outra  versão, menos novelesca,  realmente confirma a existência de um Benezèt, que possuía terras por ali e vislumbrou a importância de ligar as duas cidades. Seja de um jeito ou de outro, conta a história (ou a lenda) que Benezèt morreu jovem, durante a construção da ponte, e foi então erguida uma capela no segundo arco, onde foram depositados seus restos mortais. O povo começou logo uma romaria ao local, é daí pro falecido virar santo foi um pulo.
Enchentes e invasões destruíram a ponte. No lado de lá, restou apenas a torre. Do lado de Avignon, ainda se visita à capela no segundo arco, de onde os restos de Benezèt foram removidos. O monumento encontra-se , ao que parece, em constante reforma e estudos. Na atualidade, cinco grandes laboratórios de pesquisa uniram esforços para recriar digitalmente a ponte, e assim desvendar mais mistérios da época . Essa recriação digital pode ser vista numa salinha de cinema nas instalações do lugar, e é como um jogo 3D,  que vale a pena assistir.