terça-feira, 9 de junho de 2015

Florença no coração

Todo mundo que eu conheço que já esteve em Florença fala super bem da cidade e comenta que é preciso conhecê-la. Certo,  sabia que havia muito o que ser visto, mas confesso que tinha uma impressão de que, no fundo, Florença seria uma cidade chatinha com uma localização ótima, pois a partir dali seria mais fácil conhecer cidades menores da região da Toscana.
Florença me surpreendeu. Mais que isso, Florença me encantou.  Talvez porque tenhamos sido tão bem recebidos no hotel que seria "o mais fraquinho" da viagem, e que, todo reformado, se revelou uma grata surpresa. Porque recebemos do staff do hotel toda as informações necessárias, como ir aos  pontos mais importantes, qual ônibus tomar para chegar à Praça Michelângelo a tempo de assistir ao pôr-do-sol se refletir nas águas do rio Arno... Informações tranquilizadoras de como a cidade é segura , a dica do Mercado Centrale com seus restaurantezinhos tipo Cobal do Humaitá... O Gerente do hotel, Maurício, alegre e brincalhão, que deu um jeito do wifi voltar a funcionar no meu tablet...  A feirinha de produtos em couro na rua ali em frente, luvas femininas de todas as cores combinando com as bolsas, jaquetas e carteiras masculinas e casacos femininos elegantes e diferentes.... E a lanchonete Focacine, então, que vende pizza a taglio (pedaço)  deliciosa, por 2 a 4 euros...
Uma localização bem escolhida em Florença faz toda a diferença,  pois estando dentro ou mesmo perto do Centro Histórico, é possível ir aos principais pontos turísticos a pé, da Ponte Vecchio à Galeria dell'Accademia, onde está o verdadeiro Davi, do Mestre Michelângelo.  E a cidade, com as suas muitas ruazinhas de pedestres, e turistas de todas as nacionalidades,  é alegre sem ser caótica, é limpa, é organizada, pareceu-me Florença uma cidade em festa com a chegada do calor e dos euros dos viajantes, ávidos por ver tantas esculturas e obras de arte na Uffize ou mesmo a céu aberto.
Florença também revelaria outras emoções, pelo menos para mim: não contava visitar as Galerias e, ver de perto obras de arte tão famosas, me levou de volta ao primeiro ano do ginásio... Meu livro de História da quinta série, recordo bem, tinha uma foto colorida, ocupando toda a página, da escultura de Davi...  Um outro lapso de tempo, e estava eu de volta à sala de aula de História da Arte da faculdade, as cortinas fechadas sobre as venezianas de madeira para que pudéssemos vislumbrar , nos slides esmaecidos da velha professora, obras como O Nascimento de Vênus, de Botticelli. Fiquei refletindo sobre o fato de que, nas duas épocas, não poderia imaginar que veria ambas as obras de perto... Na praça della Sigonorina, a escultura de Hércules derrotando o centauro Nessus me fez lembrar Daniel pequenino, com sua fita VHS do desenho e seus bonecos de ação dos dois personagens mitológicos... Meu menininho que, agora um  jovem, estava viajando sozinho por outro pais, vencendo também seus desafios...
Dizem que cada lugar se revela ao viajante de uma forma, e é verdade.  Pois cada viajante traz consigo a sua bagagem emocional , e muitas vezes o que é desinteressante para um é especial para outros.  Para mim,  Florença falou ao coração...

Nenhum comentário:

Postar um comentário